quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O mundo sob o olhar das coisas

O olhar das cadeiras só vê as bundas... Lá uma vez ou outra podem se deparar com alguns pés.
O olhar das mesas se amplia entre braços, peitos e barrigas.
O olhar da caneta vê o papel.
O olhar do papel vê a caneta, a mesa e as mãos.
O olhar do volante vê as mãos.
O olhar da panela vê o fogo.
O olhar da xírcara vê o café. A medida da colher é o açúcar.
A visão do espelho é o reflexo: reflete tudo que não é.
A visão da cama é o corpo, é o sapato, é o estrado, é o colchão.

A visão da dor é a droga.
A visão do cego é o palpável. A visão do insensível é cega.
A visão do cego é o ouvido. A visão do ouvido é o cotonete.
A minha visão vê o invisível aos olhos
e a visão dessas letras: some aqui.

Lauraine Santos

Um comentário:

MOISÉS POETA disse...

Lauraine!

que maravilha , adorei seu poema !

beijaço!