sábado, 11 de setembro de 2010

A criação é um processo solitário

Algumas ilusões ainda me perturbam,

Ainda me fazem perder o sono sonhando com você.

Ainda me pergunto até onde eu iria por você, pra tentar te conquistar, por mim.

Não sei até onde eu estava disposta a ir, mas tenho certeza de que estava me preparando pra ir longe, pra ir ao fundo do poço se fosse necessário.

Cometi os atos mais infantis tentando ser uma mulher madura.

Apaixone-me por você como uma criança se apaixona por um bichinho de estimação.

Acreditei no que não existia tentando fazer acontecer.

Idealizei você. Vesti seu corpo com minhas fantasias.

Criei em você um ser para amar. Mas você não era, não é, e nunca será minha imaginação.

Seu corpo jamais estará à minha disposição, e seu modo de ser nunca completará minha idealização.

Idealizei, criei você, mas em todo tempo, amei somente a mim mesma e alimentei somente aos meus pensamentos.

Quis vestir-me com teus braços, mas teus abraços me foram negados.

Quis amar-te com a minha alma, mas só o que existia eram as minhas idéias, você, na verdade, era um ser totalmente a parte.

Quis te dar a minha vida, mas você não existia de verdade, era apenas a minha imaginação.

Tentei dar o meu melhor, mas o que é inexistente, não recebe nada de ninguém... Por melhor que esse melhor seja!

Só quero saber por que você ainda me perturba.

Por que não sai de vez da minha vida, do meu pensamento, do meu sentimento... ?

Ensaio como reagir naturalmente quando estiver perto de você, mas na hora, sai tudo diferente. Minhas mãos tremem, meu rosto queima, meus pés ficam gelados, e eu fico parada como se fosse uma estátua humana tentando te chamar a atenção.

Ensaio o que dizer e o que não dizer.

Idealizo nosso diálogo, nossa aproximação, e quando caio na real, idealizo o fim do nosso relacionamento.

Percebo o quanto a idealização é um processo solitário. Volto a mim, e me deixo afundar novamente na poltrona da ilusão.


Lauraine Santos

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