quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

PARTE III - Ermengarda e Epaminondas

A delegacia realmente não temia a Assantante de Trem e Ermengarda sabia que podia confiar no delegado Doutor Absalão Songa Monga, o problema seria conseguir acordá-lo. Drº Absalão era o único delegado da cidade e aproveitava a noite para tirar um cochilo e dispensava a todos os seus companheiros de trabalho, não gostava que nenhum deles o atrapalhassem em sua hora de sono.
Também este fato era de conhecimento de toda a cidade. Mesmo assim Ermengarda resolveu tentar. Pensou em tudo! Contaria ao delegado o que ocorreu após ele deixá-la na porteira do sítio e com os trombones da delegacia ele a levaria para casa e explicaria tudo aos seus pais.
Ermengarda só não fazia idéia de que seria impossível acordar ao delegado. A chuva estava fraquinha... e Ermengarda foi até a delegacia. Lá chegando, viu que tudo estava fechado, como toda noite: a delegacia estava fechada para dormir! Ermengarda esgoelou-se, e, para cada vez que chamava o nome do Dr Absalão ouvia um sonoro ronco que parecia cada vez mais profundo e longo. Depois de algum tempo, a pobre coitada e desorientada Ermengarda já estava ficando sem fôlego de tanto gritar, quando a chuva começou a apertar, e a moça se abrigou embaixo da única marquise que havia naquela rua.
Do outro lado da cidade... Epaminondas se preparava para sair de casa. A chuva atrapalhava um pouco a colheita de milho, mas Epaminondas não desistia de seus objetivos, sempre colhia e conservava em banha de porco uma maior quantidade de milho, justamente para os dias de chuva. Também matava o porco com antecedência, apesar de saber que a maioria dos seus fregueses prefiriam pipoca sem bacon.
Epaminondas sentia algo diferente no ar. Podia pressentir que aconteceria alguma novidade, o cheiro da noite já predizia só não se podia saber se algo bom ou ruim... já Ermengarda, tinha certeza de que esta seria a pior noite de sua vida. Não poderia ficar embaixo daquela marquise a noite toda; devia procurar abrigo para se proteger da Assaltante de Trem.
Apesar de toda a chuva, o bordel mantinha seu movimento normal com a mesma freguesia de sempre. Nem mesmo a Assaltante de Trem assustava aos freqüentadores do bordel.